Posso levar remédio na viagem para os Estados Unidos?
Pode. Remédio para uso pessoal entra nos Estados Unidos, de preferência na embalagem original e com receita ou relatório médico em inglês. A regra prática da FDA e da CBP é levar no máximo o suficiente para 90 dias. Controlados seguem a DEA e devem ser declarados, e remédio líquido pode passar de 100 ml na mala de mão.
Neste artigo
- Posso levar remédio na viagem para os Estados Unidos?
- Quanto remédio posso levar para os EUA?
- A receita precisa estar em inglês?
- Remédio controlado pode entrar nos Estados Unidos?
- Dipirona é proibida nos EUA?
- Remédio vai na mala de mão ou na despachada?
- Preciso declarar o remédio na imigração?
- E na volta para o Brasil, posso trazer remédio comprado nos EUA?
- Esqueci o remédio em casa. Dá para comprar em Orlando com a receita brasileira?
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Quem usa remédio todo dia costuma travar nessa parte da mala. As regras existem, mas vêm de quatro órgãos americanos diferentes, e cada um cuida de um momento da viagem. Abaixo está o que cada um pede, com base nas páginas oficiais consultadas em outubro de 2026.
Posso levar remédio na viagem para os Estados Unidos?
Pode, desde que seja para o seu uso durante a viagem. A FDA, agência que regula remédios nos EUA, diz com todas as letras que entende que o turista estrangeiro precisa trazer os próprios medicamentos, e permite que ele entre com até 90 dias de uso.
A CBP, que faz a imigração e a alfândega no aeroporto, dá as orientações práticas para quem não é cidadão americano:
- ter uma receita válida ou um relatório do médico escrito em inglês;
- manter o remédio na embalagem original;
- se não tiver a embalagem original, levar a cópia da receita ou uma carta do médico explicando a doença e por que você precisa do remédio;
- levar só o necessário para a estadia.
Vale para remédio de receita e também para os que você compra sem receita no Brasil. A CBP deixa claro que os dois tipos seguem as regras da FDA. Os controlados seguem também as da DEA, a agência antidrogas.
Quanto remédio posso levar para os EUA?
A regra prática da CBP e da FDA é no máximo 90 dias de uso. Para uma viagem de duas semanas a Orlando, leve a quantidade das duas semanas e uma pequena folga para atraso de voo. Exagerar na quantidade é o que levanta suspeita de revenda.
Se a estadia passar de 90 dias, a FDA permite receber o restante por correio ou courier. Nesse caso, ela sugere mandar junto a cópia do passaporte e do visto, a carta do médico e a receita em inglês.
A receita precisa estar em inglês?
A CBP pede receita ou relatório médico em inglês. A orientação dela também fala em embalagem original com as instruções do médico impressas no frasco, que é como sai o remédio da farmácia americana. A caixa brasileira não traz isso, e por isso o papel em inglês faz diferença.
Peça ao seu médico um relatório em inglês com:
- seu nome completo, igual ao do passaporte;
- o diagnóstico ou a condição tratada;
- o nome do princípio ativo de cada remédio, além do nome comercial, porque a marca brasileira quase nunca existe nos EUA;
- a dose e quantas vezes por dia;
- nome, registro no conselho e contato do médico.
Leve o original na bolsa e uma foto no celular.
Remédio controlado pode entrar nos Estados Unidos?
Pode, mas com mais cuidado. A regra federal da DEA (21 CFR 1301.26) permite entrar com controlado das listas II a V para uso médico pessoal em duas condições: o remédio tem que estar na embalagem original em que foi entregue a você, e você tem que declarar ao oficial da alfândega que ele é para uso próprio, informando o nome do remédio.
Muitos remédios comuns no Brasil são controlados nos EUA. Pelas listas oficiais da DEA:
| Princípio ativo | Uso comum | Lista nos EUA |
|---|---|---|
| Metilfenidato | TDAH | II |
| Lisdexanfetamina | TDAH | II |
| Clonazepam | ansiedade, convulsões | IV |
| Alprazolam | ansiedade | IV |
| Zolpidem | insônia | IV |
| Tramadol | dor | IV |
Fonte: 21 CFR 1308.12 e 1308.14 (eCFR), consultado em outubro de 2026.
Do lado brasileiro também há regra. A Portaria SVS/MS 344/1998, que trata dos controlados no Brasil, proíbe transportar esses remédios na saída ou na chegada de viagem internacional sem a cópia da prescrição médica. Em vários casos a farmácia fica com a receita ou com a notificação de receita na hora da compra. Peça ao médico uma cópia ou uma via extra antes de viajar.
Dipirona é proibida nos EUA?
A dipirona não é aprovada para uso humano nos EUA. A FDA retirou em 1977 a aprovação de todos os remédios com dipirona para pessoas, depois de relatos de agranulocitose, uma queda grave das células de defesa do sangue.
As páginas da FDA e da CBP para visitantes não trazem uma lista de remédios estrangeiros liberados ou barrados. A CBP lembra que remédios sem aprovação da FDA já causaram danos a pacientes, e a decisão no desembarque é do oficial. Se a dipirona é o seu analgésico de costume, converse com seu médico sobre uma alternativa aprovada nos EUA. O que dá para comprar sem receita por lá está em farmácia em Orlando: o que comprar sem receita.
Sobre produtos de cannabis, a FDA informa que não regula a maconha medicinal e manda consultar a CBP. Não viaje com esse tipo de produto sem uma resposta oficial da CBP para o seu caso.
Remédio vai na mala de mão ou na despachada?
Os dois são permitidos pela TSA, a segurança dos aeroportos americanos, mas o lugar certo é a mala de mão. Se a mala despachada atrasar ou se perder, o remédio continua com você. Na volta de Orlando você passa pela TSA no embarque, e as regras abaixo valem.
Na inspeção da TSA:
- Comprimidos passam pelo raio X ou por inspeção visual. Rótulo claro ajuda.
- Remédio líquido, gel ou spray pode passar de 100 ml (3,4 oz) em quantidade razoável para a viagem. Você precisa avisar o agente e colocar o remédio numa bandeja separada.
- Gelo e bolsa térmica para manter remédio frio são aceitos congelados, meio derretidos ou derretidos.
- Insulina entra na mala de mão. Avise o agente e separe numa bandeja. Bomba de insulina e sensor de glicose presos ao corpo não precisam ser retirados.
- Seringa sem uso passa quando acompanhada do remédio injetável. Seringa usada só em recipiente rígido de descarte.
- CPAP, BiPAP e nebulizador podem ficar no estojo para o raio X. O agente pode pedir para tirar da mala de mão.
A regra da TSA vale para a segurança nos aeroportos americanos. No embarque no Brasil, confira também a orientação da companhia aérea.
Preciso declarar o remédio na imigração?
Sim. A CBP orienta que o viajante declare todos os medicamentos ao entrar nos Estados Unidos, e para controlados a declaração é exigência da DEA. Se o oficial perguntar se você traz algo a declarar, diga que traz remédios de uso pessoal e mostre a receita em inglês. Declarar não custa nada. Esconder é o que complica.
| Órgão | Quando você encontra | O que pede |
|---|---|---|
| TSA | Segurança do aeroporto, na volta ou em voo dentro dos EUA | Avisar sobre líquidos acima de 100 ml, insulina e seringas |
| CBP | Imigração e alfândega na chegada | Embalagem original, receita ou relatório em inglês, uso pessoal, declarar |
| FDA | Regra por trás da CBP | Até 90 dias de uso para estrangeiro |
| DEA | Remédios controlados | Embalagem original e declaração ao oficial da alfândega |
Na prática: uma semana antes de viajar, separe numa nécessaire da mala de mão todos os remédios na caixa original, com o relatório em inglês dobrado dentro. Conte as doses dos dias de viagem mais três dias de folga. Fotografe as caixas e o relatório. Na fila da imigração, deixe essa nécessaire por cima, fácil de abrir.
E na volta para o Brasil, posso trazer remédio comprado nos EUA?
Pode, em quantidade de uso pessoal. Pelas regras de bagagem da Anvisa, o remédio é considerado de uso pessoal quando a quantidade é compatível com a estadia e o tratamento, e a receita assinada pode ser pedida quando a quantidade não for compatível ou parecer de comércio. Para controlados, vale de novo a exigência da cópia da prescrição da Portaria 344.
Esqueci o remédio em casa. Dá para comprar em Orlando com a receita brasileira?
Não conte com isso. A lei da Flórida só aceita receita de profissional de fora do estado quando o farmacêutico, por avaliação própria, considera a receita válida e o tratamento é de doença crônica ou recorrente. Remédio de receita esquecido costuma exigir uma consulta para sair com uma receita americana. Explicamos as opções em turista ficou doente em Orlando: urgent care, médico ou pronto-socorro, e o que o seguro cobre em seguro viagem para Orlando.
Se é a sua primeira vez, junte este checklist ao de documentos em primeira viagem a Orlando: por onde começar. E se você leva insulina ou outro remédio que precisa de geladeira, planeje o trajeto do aeroporto direto para a casa, sem deixar a bolsa térmica no carro quente. As opções de transporte estão em como ir do aeroporto de Orlando até a casa de férias.
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Fontes consultadas
- U.S. Customs and Border Protection, itens proibidos e restritos: viajar com medicamentos (consultado em outubro de 2026)
- U.S. Customs and Border Protection, orientações a viajantes internacionais na Flórida Central (declarar medicamentos) (consultado em outubro de 2026)
- FDA, importação pessoal de medicamentos (regra dos 90 dias para estrangeiros) (consultado em outubro de 2026)
- eCFR, 21 CFR 1301.26: isenção para controlados de uso médico pessoal na entrada nos EUA (consultado em outubro de 2026)
- eCFR, 21 CFR 1308.12 e 1308.14: listas II e IV de substâncias controladas (consultado em outubro de 2026)
- FDA, comunicado de 2019 que lembra a retirada da dipirona para uso humano em 1977 (consultado em outubro de 2026)
- TSA, deficiências e condições médicas: inspeção de remédios, líquidos e acessórios (consultado em outubro de 2026)
- TSA, remédios líquidos na bagagem de mão (consultado em outubro de 2026)
- TSA, seringas sem uso (consultado em outubro de 2026)
- TSA, nebulizadores, CPAP, BiPAP e APAP (consultado em outubro de 2026)
- Anvisa, regras de bagagem: medicamentos de uso pessoal na entrada no Brasil (consultado em outubro de 2026)
- Ministério da Saúde, Portaria SVS/MS 344/1998, art. 32 (transporte de controlados em viagem internacional) (consultado em outubro de 2026)
- Florida Statutes, seção 465.003: definição de receita para farmácias da Flórida (consultado em outubro de 2026)
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